Rato Borrachudo quase perdeu seu canal: o que você pode aprender disso, como influenciador

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O canal “Rato Borrachudo“, um dos primeiros canais brasileiros a viralizar uma gameplay e um dos maiores canais sobre games do Brasil, pode ser deletado a qualquer momento pelo YouTube.

Segundo informações, o canal teria usado imagens, feitas por drone, que eram de propriedade de outra pessoa (não revelada por ele). A pessoa teria aplicado 4 “strikes” (um nome dado pelo YouTube quando o proprietário de um conteúdo reclama mal uso de seu conteúdo) ao canal, condenando-o assim a poder ser penalizado à extinção.

Importante mencionar que esses “strikes” podem ser removidos, seja por uma verificação do YouTube, que pode constatar mal uso da denúncia, uma decisão judicial, ou por quem fez a denúncia. Em muitos casos o denunciante procura a parte denunciada para propor um acordo, principalmente se o canal acusado tem grande audiência. Porém geralmente, se pedem valores altos para liberar o uso do conteúdo denunciado. Em alguns casos, a parte reclamante pede centenas de milhares de reais para liberar seus conteúdos. E ao que tudo indica, esse parece ser o caso do Rato Borrachudo.

O Douglas, influenciador que dá vida ao Rato Borrachudo, criou um novo canal, que em menos de 1 semana já atingiu 1 milhão de inscritos. Um bom sinal, mostrando que os seguidores do “Ratão” são fiéis. Mas o que essa história toda (que esperamos que termine bem para o Douglas/Rato) tem a nos ensinar?

ATUALIZAÇÃO: No Twitter, o YouTube acaba de confirmar que os strikes foram removidos. Vitória para o Ratão! (https://twitter.com/TeamYouTube/status/1313131176522067974)

Em se tratando de conteúdo de terceiros, nem todo o cuidado do mundo é suficiente

O YouTube tem uma política de “fair use” (uso justo) de conteúdos de terceiros. O próprio YouTube fala sobre uso aceitável de conteúdo de terceiros e comenta o seguinte (copiado de https://www.youtube.com/intl/pt-BR/about/copyright/fair-use/#yt-copyright-protection )

1. A finalidade e o caráter do uso, incluindo se tal uso é de natureza comercial ou se presta a fins educativos que não visem à obtenção de lucro.

Os tribunais geralmente concentram-se no fato do uso ser “transformativo” ou não. Ou seja, se acrescenta nova expressão ou significado ao original ou se é apenas cópia do original. Usos comerciais estão menos propensos a serem considerados aceitáveis, mas é possível gerar receita de um vídeo e ainda aproveitar defesa de uso aceitável.

2. A natureza da obra protegida por direitos autorais.

Uso do material de obras primordialmente factuais é mais provável de ser aceitável do que o uso de obras puramente ficcionais.

3. A quantidade e a importância do trecho usado em relação à obra protegida por direitos autorais como um todo.

O uso de trechos pequenos do material de uma obra original tem maiores chances de ser considerado aceitável do que trechos grandes. No entanto, até mesmo um trecho pequeno pode ter um peso decisivo em algumas situações de uso aceitável, caso a parte em questão constitua a essência da obra.

4. O efeito do uso sobre um possível mercado ou sobre o valor da obra protegida por direitos autorais.

Usos que prejudiquem o lucro do proprietário dos direitos autorais sobre sua obra original são menos prováveis de serem usos aceitáveis. Os tribunais já abriram exceções para este fator com relação a paródias.

Nesse mesmo site do YouTube, é mostrado exemplos de “uso aceitável” de material de terceiros, o que inclui uma montagem com conteúdo da Disney. Curiosamente, o site, apesar de comentar termos jurídicos e até mesmo de dar exemplos, não deixa claro até onde um criador de conteúdo pode ou não usar um conteúdo de um terceiro. São conhecidos “strikes” por violação de direitos autorais de apenas alguns segundos, inclusive com duração inferior ao tempo mostrado nos vídeos de exemplo do YouTube.

Isso significa que um canal que poste um vídeo com o mesmo trecho usado como exemplo de fair use pelo YouTube do conteúdo da Disney corre o risco de tomar uma punição da própria Disney, por direitos autorais.

Então na prática, “vai do ânimo” do dono do conteúdo aplicar um strike ou não. Por isso, procure usar somente conteúdo seu, e de preferência, usar memes criados por você mesmo, se for o caso.

A máfia dos strikes dentro do YouTube

Isso já foi denunciado muitas vezes na internet, mas parece que ainda acontece bastante. Existem organizações criminosas atuando no YouTube, que aplicam falsas denúncias de violação de direitos autorais, para depois entrar em contato com a vítima, exigindo um pagamento para a remoção da falsa denúncia. Apesar de que em teoria, o YouTube pode verificar a veracidade da denúncia, pelo visto, nem sempre essa verificação acontece.

Além disso, existem empresas que reivindicam para si a propriedade de conteúdos que não são delas. Elas conseguem, nem sempre por meios legais, a propriedade de milhares de “memes” e saem pelo YouTube, ou distribuindo strikes, ou simplesmente direcionando a monetização de um vídeo para elas, roubando assim a renda de milhares de Youtubers.

Por isso, infelizmente se torna cada vez mais delicado manter um canal no YouTube. Mas nem tudo está perdido.

Plataformas sociais são “casa alugada” – você pode ser despejado a qualquer momento

Expressões como “no meu Facebook, eu costumo fazer isso ou aquilo” estão bem equivocadas. Algo que você precisa entender é que todas as plataformas sociais, incluindo seu canal no YouTube, NÃO SÃO suas. São das plataformas. Ali, seu canal ou perfil são espaços “alugados”, onde você pode por “suas coisas” e “morar ali” até quando o dono da plataforma queira.

É por isso que a conta de uma pessoa nessas plataformas pode ser facilmente eliminada, inclusive “porque sim”, porque alguém da plataforma determinou isso.
Vale comentar que cada plataforma tem suas regras de uso e violar essas regras pode significar o seu despejo delas.

Além disso, uma plataforma que hoje é grande e forte, amanhã pode agonizar e morrer, de maneira súbita. Se você está no Brasil, deve se lembrar do poderoso Orkut, que tinha milhões de contas e que com uma canetada da diretoria do Google foi varrido da existência. Ou do MSN Messenger, que era um sucesso mundial quando a Microsoft definiu que não queria mais manter o MSN para dar destaque ao Skype (estratégia que digamos, não foi para esse lado que eles queriam).

Então, você precisa saber que, apesar de o YouTube ser uma plataforma de enorme poder de influência no mundo todo e ser extremamente rentável para o Google, as coisas na internet mudam rapidamente. Não tem como prever quando outra plataforma social vai tomar o espaço do YouTube. Um dia, pode surgir um oponente tão popular e poderoso, que o Google pode simplesmente decidir por fim ao YouTube. E a todos os praticamente infinitos canais que estão por lá.

Então, o que fazer?

Não aposte numa plataforma só

Mesmo parecendo pouco produtivo dizer isso, novamente vamos repetir: todas as suas contas em plataformas sociais são como uma casa alugada, a qualquer momento você pode ter que se mudar para outro lugar.

Então, é importante que você tenha um plano B, C, D, E ou mais. Veja o que algumas pessoas fazem e você pode estudar fazer também:

  • Poste seus vídeos em mais locais, além do YouTube. Atualmente existem muitas opções na internet.
  • Tenha um backup do seu conteúdo, para caso de acontecer alguma coisa com seu canal.
  • Tenha uma boa comunicação com seus seguidores. Você vai precisar muito do apoio deles caso aconteça algo com seu canal. O caso do Rato Borrachudo ilustra perfeitamente isso. Em caso de emergência, peça apoio deles, e se você tiver um bom relacionamento com eles, eles vão te ajudar caso você precise recomeçar do zero em outra parte.
  • Considere ter um website. Um website, diferente das plataformas digitais, é território realmente seu, afinal, você comprou o domínio, paga hospedagem e montou o website exatamente dentro do seu agrado. O que você escrever, gravar e postar em seu site é seu. Só pode ser removido com ordem judicial ou com ataque hacker, o que é bem menos provável e mais fácil de se defender do que a excentricidade de uma plataforma social, que pode deletar sua conta inclusive, se eles não gostarem do seu conteúdo.

Ficamos muito felizes de saber que o Rato Douglas Borrachudo tenha conseguido ficar “safe” com seu canal, que já tem mais de 12 anos divertindo e influenciando positivamente milhões de pessoas.

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